De forma inédita e com base em investigação apoiada por ampla análise estatística, o site Giro Ipiaú, em parceria com o apoio do urbanista e arquiteto Elson Andrade, da pós-graduação do Instituto de Economia da Unicamp, apresenta à sociedade um problema grave, ao revelar os dados consolidados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública — SINESP, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que revela um retrato obscuro inquietante de um tipo de violência velada no Brasil entre 2015 e 2026. Embora o debate público tenha se concentrado fortemente nos feminicídios nos últimos anos, a análise proporcional dos números mostra que a realidade da violência brasileira é muito mais ampla, complexa e silenciosa do que a narrativa predominante costuma apresentar.
Segundo os painéis estatísticos oficiais do SINESP, os homicídios ainda representam o segundo maior volume absoluto de mortes violentas do país, com 471.442 vítimas no período analisado, apesar de apresentarem queda acumulada de 39,38%. Já as mortes no trânsito somaram 274.407 vítimas, mantendo estabilidade elevada, com média de 67 mortes por dia. Os suicídios atingiram 150.202 registros, praticamente dobrando no período, com crescimento acumulado de 98,34%. As mortes decorrentes de intervenção policial chegaram a 61.595 vítimas, crescendo 134,43%. O feminicídio, por sua vez, embora represente proporcionalmente a menor parcela do conjunto analisado, foi a categoria que mais cresceu proporcionalmente, com aumento de 219,20% entre 2015 e 2026. No entanto, é importante destacar, que essa não é a categoria maior em quantidade de casos. Longe disso inclusive. Dado que representa apenas 1/36 na relação feminicídio por Estupro de Vulneráveis. Porém, feminicídio é o segmento que tem ganhado a preferência dos políticos e da mídia. Será que é por causa das vítimas não terem título de eleitor e poder econômico em forma de consumo?
Os dados demonstram que o feminicídio é, sem dúvida, um problema grave e crescente. Contudo, a leitura isolada dessa modalidade pode produzir distorções de percepção quando desconectada das demais formas de violência estrutural existentes no país. A própria estatística oficial revela que há outras tragédias sociais atingindo números muito mais alarmantes, especialmente aquelas relacionadas à infância e à violência sexual doméstica, frequentemente invisibilizadas no debate nacional.
Nesse contexto, chama atenção a baixa centralidade dada à violência sexual contra crianças e adolescentes. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que aproximadamente 62% dos estupros de vulneráveis ocorrem dentro da própria residência da vítima ou do agressor, sendo os autores, em grande parte, familiares, padrastos, parentes próximos ou pessoas do convívio íntimo, ou, no mais distante, da vizinhança. Já o relatório “Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes”, do UNICEF, aponta que a maior parte das vítimas possui menos de 14 anos e que a subnotificação permanece extremamente elevada no Brasil, dado ao constrangimento e pela preferência dos pais e responsáveis de tornar público um registro que possa manchar a história da criança ou adolescente.


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