Justiça determina reintegração de funcionários demitidos pelas Casas Bahia

A Justiça do Trabalho determinou a suspensão provisória das demissões coletivas realizadas pelo Grupo Casas Bahia entre os dias 13 e 17 de agosto. A decisão também obriga a empresa a restabelecer os contratos dos trabalhadores atingidos pelos cortes e impede novas dispensas em massa sem negociação prévia com os sindicatos.
A liminar foi concedida pela juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10). A decisão ocorre após uma ação apresentada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), que questionou a ausência de participação sindical antes das demissões.
A Justiça estabeleceu prazo de até cinco dias para o restabelecimento dos vínculos trabalhistas e de 48 horas para a reativação dos benefícios contratuais, como os planos de saúde. A medida não obriga a reabertura das lojas que tiveram as atividades encerradas, permitindo que os trabalhadores sejam realocados para outras unidades ou permaneçam em afastamento remunerado.
A quantidade de trabalhadores atingidos vinha sendo estimada inicialmente em cerca de 1,9 mil, mas informações apresentadas pela companhia no processo de recuperação judicial indicam aproximadamente 3 mil demissões. Os desligamentos fazem parte de uma ampla reestruturação que também prevê o fechamento de 298 lojas em diferentes regiões do país.
A decisão judicial considera o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a intervenção sindical prévia é necessária em casos de demissões coletivas. Dessa forma, eventuais novos cortes em massa deverão ser precedidos de negociação com as entidades que representam os trabalhadores. O descumprimento pode resultar em multa de R$ 10 mil por empregado atingido.
As mudanças na rede ocorrem em meio à grave situação financeira do Grupo Casas Bahia. A companhia entrou com pedido de recuperação judicial para reestruturar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. O processo envolve dez empresas do grupo e busca reorganizar as obrigações financeiras e preservar as operações.
O fechamento de unidades também atingiu cidades da Bahia. Apesar da reestruturação nacional da companhia, a loja das Casas Bahia em Ipiaú segue funcionando normalmente.


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