O Ministério Público da Bahia (MPBA) denunciou à Justiça seis policiais envolvidos na operação que terminou com a morte do guia de turismo Victor Cerqueira Santos Santana, conhecido como “Vitinho”, de 28 anos, e de outro homem, no distrito de Caraíva, em Porto Seguro. A denúncia foi apresentada nesta quinta-feira (16) pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), que também solicitou o afastamento cautelar dos agentes das funções públicas durante a tramitação da ação penal.
A Operação Travessia foi realizada no dia 10 de maio de 2025 com o objetivo de cumprir um mandado de prisão contra Davisson Sampaio dos Santos, conhecido como “Alongado”, apontado como líder de uma facção criminosa que atuava em Caraíva. Durante a ação, um terceiro homem foi preso, mas sua identidade não foi divulgada.
Segundo o MPBA, quatro policiais militares e dois policiais civis foram denunciados por dois homicídios qualificados. As investigações apontam que uma das vítimas foi atingida por diversos disparos de arma de fogo em via pública, sem possibilidade de reação ou defesa. Já a segunda vítima teria sido abordada, revistada e, em seguida, baleada. Laudos periciais também indicaram lesões compatíveis com agressões físicas anteriores aos disparos.
De acordo com o Ministério Público, as provas reunidas indicam que as mortes ocorreram fora de uma situação concreta de confronto e em um contexto no qual as vítimas estavam em condição de vulnerabilidade diante da atuação dos agentes.
Na época da operação, a investigação policial apontava que o segurança de Davisson utilizava o apelido “Vitinho”, o mesmo pelo qual era conhecido o guia de turismo Victor Cerqueira. Familiares da vítima afirmam que o guia teria sido confundido com o suspeito durante a ação policial.
Além das acusações de homicídio qualificado, os dois policiais civis também foram denunciados por suspeita de fraude processual. Conforme o MPBA, eles teriam praticado atos para alterar elementos relacionados à ocorrência após as mortes. A conduta atribuída aos policiais militares será analisada pela Vara da Auditoria Militar. O caso segue em tramitação na Justiça, que deverá analisar o recebimento da denúncia e os pedidos apresentados pelo Ministério Público.


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